Meditação - 22/06/2026
A humanidade desconhece a importância e o valor que possui
perante a comunidade galáctica. Comparativamente, o ser humano
terrestre pode ser visto como um filão de ouro oculto nas
profundezas de uma mina aparentemente abandonada. E não
apenas ouro: prata, diamantes, esmeraldas e todas as riquezas que
a natureza é capaz de produzir.
Essa riqueza, porém, não se encontra na matéria, mas nos
sentimentos, nas emoções e nos inúmeros produtos sutis gerados
pela experiência humana.
Talvez existam, no Universo, seres avançados em milhares ou
milhões de anos sob o aspecto tecnológico, mas empobrecidos
diante das Leis Universais. Em sua decadência, buscam
exteriormente aquilo que outrora possuíam interiormente e que
perderam por negligência ou por desconhecerem seu verdadeiro
valor.
Essa hipótese conduz a uma reflexão inevitável: o ego não seria
um desafio exclusivo da humanidade terrestre, mas uma
possibilidade inerente a toda inteligência consciente. Afinal,
somente o ego possui a capacidade de transformar, através da
ilusão, um futuro promissor em um presente desventurado.
Essa mesma reflexão leva a uma nova forma de compreender o
tempo. Costuma-se dizer que "o poder está no presente".
Entretanto, talvez seja mais correto afirmar que o poder está no
futuro, pois é nele que repousam as consequências das escolhas
realizadas agora.
O presente constrói o futuro, e o futuro, ao chegar, transforma-se
em presente.
Durante a meditação, uma imagem surgiu em minha mente: o
Passado, o Presente e o Futuro assemelham-se a uma lareira em
uma noite fria. O Passado fornece a lenha, o Presente alimenta o
fogo e o Futuro oferece o calor que será recebido.
Nesse mesmo instante, algo pareceu sussurrar:
"Ou o homem domina o ego, ou o ego destruirá a humanidade."
A frase surgiu com a força de um alerta.
Assim como um governante que, gradualmente, amplia sua
influência até dominar completamente uma nação, o ego avança
sobre os sentimentos humanos. Sua atenção está voltada apenas
para a satisfação imediata. Não se preocupa com as consequências
futuras, nem com os efeitos de longo prazo de suas escolhas.
A mensagem percebida durante a meditação parecia revelar, com
clareza, o perigo que se encontra adiante. Mostrava a relação
entre ação e reação. Identificava antecipadamente o agente
causador do desequilíbrio e, ao mesmo tempo, indicava a
necessidade de vigilância para evitar um futuro de sofrimento
coletivo.
O desejo de posse constitui um dos alimentos preferidos do ego.
Quando esse impulso ultrapassa os limites do equilíbrio, passa a
influenciar pensamentos, decisões e comportamentos de forma
quase imperceptível. Pouco a pouco, a inteligência deixa de servir
aos valores mais elevados e passa a servir aos desejos projetados
pelo próprio ego.
Nessa condição, indivíduos podem alcançar grande poder,
influência e capacidade de realização. Entretanto, quando tais
forças são colocadas a serviço da ambição desmedida,
transformam-se em instrumentos de domínio e destruição.
Talvez resida aí um dos maiores desafios da humanidade: utilizar
a inteligência para transcender o ego, e não para servi-lo.
Se essa escolha não for feita, o mesmo poder que elevou a
civilização poderá, um dia, contribuir para sua queda.
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